Viajando com pouca grana: conheça o Eco Durismo

Imagine a seguinte situação. Você e seu parceiro (ou parceira) estão em uma viagem com um casal de amigos. Durante o passeio vocês decidem curtir uma trilha. Até aí tudo bem, o contato com a natureza é sempre bem-vindo. O problema é que durante a trilha vocês perdem boa parte do dinheiro que estava reservado para a viagem. Isso mesmo, a grana simplesmente some! Vocês então precisam acampar sem luz e improvisar um fogão a lenha para fazer o jantar sem quase nada de dinheiro na carteira. Bom, foi exatamente isso que aconteceu com Livio Santos, 32, e a francesa Alexandra das Neves, 26.

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O cenário, que tinha tudo para se transformar em um desastre, foi o ponto de partida para o projeto que hoje move a vida dos dois: o Eco Durismo. “Sempre viajamos nas mais variadas situações e ter pouca grana nunca foi um empecilho”, conta Livio. Hoje eles têm um site e uma página no Facebook para o projeto, onde dão dicas aos viajantes que querem conhecer pontos naturais e bonitos pelo país, mas sem gastar uma fortuna.

Eles já rodaram o Rio de Janeiro, o sul de Minas Gerais, o litoral paulista e o interior do Paraná. O número de cidades visitadas? Perderam a conta. Já a viagem mais marcante foi a da Serra do Papagaio, na região do Baependi, um município em Minas que tem pouco mais de 18 mil habitantes. Eles estavam atrás de uma cachoeira, mas não conseguiam encontrá-la de jeito nenhum. Para melhorar, o GPS perdeu o sinal e eles ficaram completamente perdidos na estrada de terra.

Ao se deparar com um mateiro que pedia carona, os dois explicaram a situação e foram levados à casa de uma família bem simples no meio do nada. “Seria impossível chegar lá sem a ajuda de alguém que mora na região”, diz Alexandra. Lá foram recebidos com um delicioso almoço orgânico e passaram o dia conversando com os moradores. Como não poderiam voltar à estrada de noite devido à escuridão, acamparam ali mesmo no curral ao lado dos cavalos e das vacas, em meio a uma linda paisagem cercada por lagos, moinhos e uma cachoeira no quintal. No dia seguinte partiram viagem, mas nem sequer voltaram a procurar a cachoeira.

Bom, já deu para perceber que passar perrengue é com eles mesmos. Juntos há mais de dois anos, eles pretendem viver na estrada, sem lugar fixo, dentro de alguns meses. “Em agosto vendemos tudo o que tínhamos e voltamos ao Rio pra montar a Kombi e buscar parceiros que possam ajudar a bancar o projeto”, conta Livio.

Eles criaram uma loja online em que vendem posters, camisetas e até produtos naturais como incensos, desodorantes e repelentes. As vendas, aliadas aos “bicos” que fazem pelas cidades em que passam, eventos musicais organizados por Livio e as traduções freelancers feitas por Alexandra são algumas das formas encontradas pelo casal para financiar parte do projeto. Todas as viagens são feitas em uma Kombi de 1972, comprada por Lívio há cerca de cinco anos.

Confira abaixo uma entrevista com o casal e conheça mais detalhes sobre o Eco Durismo. Quem sabe você não encontra dicas bacanas para a sua próxima viagem?

Como vocês se conheceram?
No final de 2014 eu (Lívio) larguei a vida profissional no mundo corporativo no Rio de janeiro e fui viver em um hostel em Paraty, onde trabalhei e morei por quase dois anos. A Alexandra veio ao Brasil pela primeira vez de férias e trabalhando voluntariamente em troca de hospedagem nos hostels das cidades por onde passou. O primeiro hostel que ela trabalhou foi esse de Paraty, onde nos conhecemos.

Como surgiu a ideia do Eco Durismo?
Sempre viajamos nas mais variadas situações e ter pouca grana nunca foi um empecilho. Uma vez fizemos uma viagem até a Praia do Sono (RJ) com um casal de amigos e perdemos parte do dinheiro na trilha, mas mesmo assim seguimos viagem com o que havia sobrado. Ali surgiu o nome Eco Durismo: acampamos sem luz e preparamos um jantar em um fogão a lenha improvisado com quase nada na carteira. O projeto mesmo (de criar um site e divulgar as dicas) surgiu quando decidimos que deveríamos seguir viagem de fato e tentar viver na estrada.

Qual a responsabilidade de cada um nas viagens (filmagem, fotografia etc.)?
Não temos nenhum padrão e nem sequer equipamentos profissionais. As fotos e os vídeos são feitos com uma câmera amadoras e nos nossos celulares. Os acessórios como tripé, slider, estalbilizador e “pau de selfie” foram feitos por nós mesmos, reaproveitando materiais.

Onde vocês vivem?
Estamos juntos há dois anos, mas até o momento não vivemos na estrada. Fazíamos viagens pequenas e retornávamos para a nossa casinha em Paraty. Em agosto vendemos tudo o que tínhamos e voltamos ao Rio pra montar a Kombi e buscar parceiros que possam ajudar a bancar o projeto. Nos próximos meses nosso objetivo é de fato viver na estrada, sem lugar fixo.

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Por que viajar em uma Kombi de 1972?
Eu (Livio) já tinha a Kombi há cerca de cinco anos para um outro projeto chamado Bangarang Sound System, que se resume a uma equipe de som especializada em música jamaicana apenas em vinil. Nós usávamos a Kombi para levar equipamentos para os lugares onde iríamos tocar.

Qual foi o primeiro lugar que vocês viajaram juntos pelo Eco Durismo? Como foi?
A primeira viagem que fizemos depois de ter criado o projeto foi pra Arraial do Cabo, na região dos lagos do Rio de Janeiro. A experiência foi a melhor possível. Conseguimos hospedagem em um camping local em troca de publicidade em nossa página e visitamos todas as praias da região. Estava um bom clima tempo e as praias estavam vazias e com aquela cor da água que só tem lá. Encontramos um grupo de argentinos viajando como nós, no estilo Eco Durismo, mas com crianças pequenas, provando que, independente das situações, é possível viajar sem gastar muito. 

Quantos lugares vocês já visitaram? Qual foi o mais surpreendente?
Não sabemos exatamente por quantas cidades já passamos, mas rodamos pelo Estado do Rio de Janeiro, pelo sul de Minas, pelo litoral paulista e pelo interior do Paraná.  A mais marcante foi a da Serra do Papagaio, na região de Baependi (MG), onde buscávamos uma cachoeira que até hoje não encontramos e, quando o GPS perdeu o sinal, acabamos nos perdendo nas pequenas estradas de terra até encontrarmos um mateiro que estava pedindo carona. Explicamos que estávamos perdidos e com fome e ele nos direcionou até a casa de uma família bem simples no meio do nada. Seria impossível chegar lá sem a ajuda de alguém que mora na região. Lá fomos recebidos, com um delicioso almoço orgânico e ficamos conversando até a noite. Quando percebemos já estava escuro e não seria possível voltar.

E o que vocês fizeram?
A família nos deixou acampar no curral com os cavalos e as vacas. A paisagem era lindíssima, eles tinham uma cachoeira no quintal, além dos lagos e moinhos… No outro dia acordamos cedo, tomamos o café e seguimos viagem sem nem sequer procurar a cachoeira que buscávamos no inicio.

Vocês são formados em alguma profissão? O que faziam antes do projeto?
Eu (Alexandra) sou tradutora freelancer e ainda atuo na profissão, mesmo durante as viagens. Já o Livio é formado em Administração e há 11 anos coleciona discos de vinil e organiza eventos musicais. 

Como vocês mantêm o projeto? Apenas com a loja online ou existem outras formas de financiamento?
Criamos a loja para tentar ajudar nos custos, mas ainda precisamos trabalhar bastante para que esse setor possa alavancar uma boa grana. Estamos sempre em busca de apoios e parcerias, mas no momento o jeito é se virar e fazer bicos por onde passamos. Vamos começar também um projeto chamado EcoAndo – Música Independente na Estrada.

Qual a proposta do projeto?
Coletar informações dos artistas locais das cidades nas quais passarmos e promovê-los em nossas redes, realizando eventos musicais com foco no trabalho desses artistas. Isso poderá ajudar nos custos das viagens em algumas regiões.

Qual foi a viagem mais “Eco Durisma” que vocês fizeram?
Um local chamado Saco do Mamanguá em Paraty Mirim, em que se chega de barco (pago) e nós resolvemos ir a pé, através de uma trilha pesadíssima. Estávamos totalmente despreparados, pois não havíamos levado barraca, comida e nem roupas. Chegamos ao local depois de algumas boas horas, mas não tivemos forças para voltar e dormimos na praia, diretamente na areia. Fizemos uma fogueira e colhemos algumas bananas que seguraram nossa fome. Apesar de todo o perrengue, concluímos o trajeto de graça e desfrutamos de paisagens que não viríamos pelo caminho tradicional de barco.

Vocês passam por muitos perrengues durante as viagens? Teve algum que arranca risadas até hoje?
A história que contamos do Saco do Mamanguá é um dos perrengues que ficaram na história. Outro perrengue legal foi em Morretes, no Paraná. Nos havíamos fechado uma parceria com um camping local para nos receber, porém, a gente se perdeu na ida e chegamos de madrugada, quando não havia ninguém no camping e, como o carro estava lotado de coisas, tivemos que passar a noite na rua. Montamos a barraca em um cantinho mais escuro da rua e dormimos ali mesmo. 

Vocês tem algum projeto ou meta para o futuro? Conhecer um número de lugares, por exemplo…
Nossa ideia agora é montar a Kombi e partir sem destino e data pra voltar. Queremos lançar o projeto EcoAndo para que possamos ter um objetivo real para a viagem e com possibilidades concretas que nos permitam gerar uma renda que sustente os custos.

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