O panorama das drogas no mundo

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) divulgou o Relatório Mundial de Drogas 2016 (World Drug Report 2016). O estudo traz os dados coletados mundialmente sobre o uso substâncias como cannabis, anfetamina, cocaína, heroína e ópio por pessoas de 15 a 64 anos em todo o mundo.

Cannabis
A cannabis é a droga mais consumida no mundo

Segundo a pesquisa, 247 milhões de pessoas consumiram pelo menos um tipo de droga em 2014, sendo que uma a cada seis (aproximadamente 29 milhões) sofre alguma desordem devido a este uso. O relatório também afirma que destes 29 milhões, 12 milhões fazem uso de substância injetáveis, sendo que 1,6 milhões vive com AIDS e 6 milhões possuem Hepatite C.

Em todo o planeta já foram identificadas 244 substâncias por órgãos internacionais de controle de drogas.

Resultados globais entre 2006 e 2014

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Cannabis
É a mais consumida no mundo com 183 milhões de usuários, número que se manteve estável nos últimos três anos, apesar do crescimento do consumo na América do Norte e nas regiões central e ocidental da Europa. É também a droga com maior presença mundial: foi plantada em 129 países em 2014 (além de ser a substância mais traficada). Corresponde a 50% dos 2,2 milhões de casos de apreensão registrados no Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime.

Para saber sobre o consumo da cannabis nos Estados Unidos, acesse a reportagem A Maconha nos EUA.

Anfetamina
É a segunda droga mais utilizada no planeta e apresentou um número estável de consumidores nos últimos anos. Porém, o seu uso pode ser ainda maior por conta da falta de informações e pesquisas em algumas regiões da Ásia. Segundo especialistas, fatores como a crescente admissão de pessoas para tratamento contra o vício em anfetamina apontam um crescimento do uso da substância nas áreas oriental e sudeste do continente.

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Ópio
É um dos mais nocivos à saúde e tem mais de 33 milhões de usuários pelo mundo, seja do próprio ópio ou de seus derivados como a morfina e a heroína. Sua produção global em 2015 foi de 4.770 toneladas, uma queda de 38% em relação a 2014. Está mais presente sudoeste da Ásia, mas também pode ser encontrado na região sudeste do continente e na América Latina.

O declínio global de 38% deve-se ao fato da produção no Afeganistão ter caído 48%. Os afegãos tem 183 mil dos 281 mil hectares de cultivo ilícito, ou seja, dois terços de todo o ópio do mundo sai de lá. Além do Afeganistão outros 48 países plantam a droga.

Cocaína
A pesquisa aponta um fato curioso e contraditório: apesar da produção global de cocaína ter crescido 10% em 2014, a área atual de cultivo da planta de coca é a segunda menor desde a década de 1980. A quantidade de mão de obra apresentou um pequeno crescimento de 2014 para 2015, mas segue entre 24 a 27% menor do que a registrada em 2007.

A elevação da mão de obra ocorreu pela expansão do tráfico de cocaína da África para a Ásia (regiões leste, sudeste e centro-leste). As apreensões anuais de cocaína no continente asiático triplicaram na comparação dos períodos de 1998-2008 com 2009-2014: de 0,45 toneladas para 1,5 toneladas apreendidas a cada ano.

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Tratamento contra distúrbios causados pelo uso de drogas
Apenas um sexto das pessoas que possuem algum distúrbio causado pelo consumo de drogas procura tratamento. O ópio é a substância que causa maior preocupação na América do Norte, Europa e na Ásia. Para se ter uma ideia, três a cada quatro pessoas que procuram por tratamento nas regiões leste e sudeste européias são usuárias de ópio.

Na América Latina e no Caribe o grande vilão continua sendo a cocaína, enquanto a procura por tratamentos relacionados ao consumo de cannabis é mais elevada na Ásia e na África. Porém, o estudo indica que a cannabis pode não ser o real motivo desta procura, pois em diversas regiões, principalmente africanas, há poucas opções de tratamentos para desordens ocasionadas pelo uso de drogas.

Cerca de 50% dos cuidados médicos na África são para usuários de substâncias não-especificadas, ou seja, por não terem acesso a um tratamento adequado para o seu vício muitos deles migram para os tratamentos disponíveis, como é o caso da cannabis.

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Apesar da anfetamina ser o maior problema das regiões leste e sudeste asiáticas e do número de pessoas que busca por tratamento contra a droga ter crescido no continente, cerca de 50% dos tratamentos feitos na Ásia ainda são por distúrbios causados pelo uso de ópio.

O Relatório Mundial de Drogas é divulgado anualmente pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime. CLIQUE AQUI para ter acesso ao documento completo em inglês.

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