A desigualdade salarial no Brasil

As mulheres possuem um acesso igual ou até maior que o homem à educação, mas recebem um salário 42% inferior. Esse é o principal dado a ser analisado no Global Gender Gap Report 2016, o Relatório da Desigualdade Global de Gênero publicado pelo Fórum Econômico Mundial.

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Segundo dados do relatório, 93% das mulheres no Brasil são alfabetizadas, contra 92% dos homens. Elas também possuem uma porcentagem maior de envolvimento nos Ensinos Médio e Superior (ficando atrás apenas por 1% em relação ao Ensino Fundamental). Confira a tabela abaixo:

Ensinos

Mulheres Homens

Fundamental

90%

91%

Médio

85%

79%

Superior 53%

40%

Apesar do acesso à educação e da presença das mulheres ser maior, os salários vão na direção contrária. A renda média de uma trabalhadora brasileira é de US$ 11.666 (R$ 36.406,09), enquanto um homem recebe US$ 20.263 (R$ 62.414,00). O estudo ainda coloca o Brasil na 87ª posição no ranking que avalia a presença de mulheres no mercado de trabalho: 67% delas estão empregadas (contra 83% dos homens).

Com base nesses dados concluímos que os homens recebem R$ 26.007,91 a mais que as mulheres por ano ou R$ 2.167,32 por mês, mesmo tendo menor acesso e presença aos ensinos Médio e universitário. Os valores foram calculados com base na cotação do dólar de 6 de fevereiro de 2017.

A equidade salarial é uma das lutas do feminismo, movimento que busca promover a igualdade social entre homens e mulheres. Para saber mais sobre o movimento, acesse a matéria O que você sabre sobre o feminismo?, publicada em 1° de fevereiro de 2017 pelo Fora da Mira.

Dados nacionais

Apesar da desigualdade, os valores de rendas anuais podem parecer altos para os brasileiros e brasileiras, mas vale lembrar que um estudo divulgado pela Oxfam em janeiro de 2017 revelou que seis pessoas são responsáveis por mais de 50% de toda a riqueza brasileira, portanto, a maioria dos trabalhadores brasileiros não possui uma renda média anual tão grande.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou no final de 2016 alguns dados que vão de encontro a este cenário. De acordo com o IBGE, o salário médio dos homens em 2015 foi de R$ 2.012 contra R$ 1.522 das mulheres, portanto, 24% maior. Apesar da disparidade, o instituto ressalta que em 2005 a diferença era de 29%, com média de renda mensal de R$ 1.552 para eles e de R$ 1.101 para elas.

E quando os salários serão equiparados?

Ainda segundo a Oxfam, as mulheres só terão os seus salários equivalentes aos dos homens em 170 anos. O relatório divulgado pela ONG britânica aponta uma disparidade ainda maior do que o divulgado pelo Fórum Econômico Mundial. De acordo com o cargo as mulheres podem receber de 31% a 75% menos que os homens.

Essa situação de desequilíbrio acontece por dois motivos. O primeiro é a “pura e simples discriminação”, pois há mulheres que executam as mesmas tarefas e cargos e, mesmo assim, recebem salários inferiores. A ONG também explica que o outro fator que contribui para esse índice é as mulheres estão concentradas em empregos de menor remuneração e com menores cargas horárias de trabalho e, portanto, recebem menos.

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A Oxfam é uma confederação internacional composta por 18 organizações não-governamentais e está presente em mais de 90 países do mundo. Ela é sediada em Oxford, na Inglaterra, e atua na busca de soluções para os problemas da pobreza e da injustiça em áreas como: fome, comércio, educação, saúde, HIV/AIDS, inclusão social, guerras, desastres naturais, democracia e direitos humanos.

Desigualdade pelo mundo

O Relatório da Desigualdade Global de Gênero de 2016 colocou o Brasil na 79ª colocação do ranking global de desigualdade. Entre os 144 países estudados, os que possuem melhores condições de igualdade entre os gêneros são Islândia, Finlândia, Noruega, Suécia e Ruanda. Já os mais desiguais são Chade, Arábia Saudita, Síria, Paquistão e Iêmen.

A Alemanha ficou na 13ª colocação, mas a tendência é de que o país suba algumas posições nos próximos anos. Isso deve acontecer por conta de uma nova lei aprovada no último dia 11 de janeiro. Ela determina que os trabalhadores de empresas com 200 ou mais funcionários tenham direito a receber informações sobre os critérios que resultam nas suas remunerações.

Já as empresas que possuem a partir de 500 funcionários são obrigadas a informar regularmente seus esforços para igualar as remunerações. A nova legislação tem como objetivo esclarecer as regras utilizadas para a composição salarial de seus contratados, auxiliando na equidade salarial entre homens e mulheres.

O salário médio bruto das mulheres é 21% menor que o dos homens na Alemanha, mas esta diferença cai para 7% quando são comparados profissionais com qualificações e empregos equivalentes.

As fontes utilizadas para esta matéria estão disponíveis no comentário abaixo.

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4 thoughts

  1. Mito. Não se leva em consideração a escolha profissional da maioria dos homens e mulheres na pesquisa. Quando são consideradas as mesmas profissões e mesmo desempenho (dedicação, horas extras, investimento…), Não há diferença remuneratória.

    1. Basta ler a matéria para saber que você está errado:

      Essa situação de desequilíbrio acontece por dois motivos. O primeiro é a “pura e simples discriminação”, pois há mulheres que executam as mesmas tarefas e cargos e, mesmo assim, recebem salários inferiores. A ONG também explica que o outro fator que contribui para esse índice é as mulheres estão concentradas em empregos de menor remuneração e com menores cargas horárias de trabalho e, portanto, recebem menos.

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