O que você sabe sobre o feminismo?

Muito tem sido dito sobre o movimento feminista nos últimos anos. O crescimento e a propagação da internet e das redes sociais facilitam o desenvolvimento das lutas e dos ideais feministas, mas também trazem muitas informações incorretas.

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Onde e como surgiu?
O feminismo é um movimento que abrange a igualdade da mulher ao homem e isso inclui todas as áreas da sociedade como a política, a econômica, a social e a sexual.

A criação do termo feminismo é creditada a Charles Fourier, em 1837. O filósofo francês é considerado como um dos formuladores do Socialismo Utópico. As palavras feminismo e feminista apareceram pela primeira vez na França e na Holanda 35 anos depois, em 1872.

Mas antes disso as mulheres já lutavam por direitos igualitários. Uma Reivindicação pelos Direitos da Mulher (em inglês: A Vindication of the Rights of Woman: with Strictures on Political and Moral Subjects) foi escrito em 1972 pela inglesa Mary Wollstonecraft e é considerado como o primeiro livro e uma das principais obras da literatura feminista até hoje.

Mary argumentava contra os teóricos educacionais e políticos do século 18 que afirmavam que as mulheres não deveriam ser educadas. Ela contestava dizendo que elas precisavam receber uma educação compatível à sua posição na sociedade e que as mulheres são seres humanos merecedores dos mesmos direitos fundamentais que eram fornecidos aos homens, e não meros enfeites para a sociedade ou propriedades a serem negociadas no casamento.

Em 1791, alguns anos depois, Olympe de Gouges lançou o manifesto Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã (em francês: Déclaration des droits de la femme et de la citoyenne). A revolucionária francesa contestava a  Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (em francês: Déclaration des Droits de l’Homme et du Citoyen), documento publicado em 26 de agosto de 1789 como resultado da Revolução Francesa e que estipulou diversos direitos aos homens.

Naquela época as mulheres não tinham podiam participar na política, não tinham acesso às instituições públicas e nem direitos de liberdade profissional e de propriedades, entre tantos outros. A revolucionária francesa exigia a completa assimilação jurídica, política e social das mulheres. Ao fim do documento ela escreveu o Contrato Social, nome inspirado em uma famosa obra do suíço Jean-Jacques Rosseau, no qual ela propunha o casamento com relações de igualdade entre os parceiros.

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A advogada também se envolveu ativamente em questões políticas. Contrária à pena de morte, ela se opôs à condenação à morte do rei Luis XVI (que governou a França entre 1774 e 1792) e escreveu a peça Les trois urnes, ou le salut de la Patrie, par un voyageur aérien (As três urna ou a salvação da Pátria, por um viajante aéreo – tradução livre), onde propunha a criação de um plebiscito para escolher um dos três potenciais sistemas de governo: república indivisível, governo federalista ou monarquia constitucional. Ela foi presa e condenada à morte por guilhotina em 3 de novembro de 1973 após publicar a obra. A sua atividade feminista também contribuiu para a condenação.

Data marcante
Apesar do feminismo não ter um data oficialmente estabelecida para seu início, pois é um movimento em constante adaptação e crescimento, algumas datas são importantes nesta luta. O Dia Internacional das Mulheres é uma delas. Decretado em 1910 pelo Congresso Internacional das Mulheres Socialistas, o dia 8 de março representa 129 operárias norte-americanas mortas em 1857.

Elas reivindicavam a diminuição da jornada de trabalho de 16 horas/dia para 10 horas/dia, direito à licença-maternidade e melhores salários (recebiam um terço do valor pago aos homens). Elas morreram queimadas na fábrica têxtil em que trabalhavam em Cotton, em Nova Iorque (EUA), por conta da ação da força policial.

Ideais feministas
O feminismo não possui uma cartilha de regras ou normas estabelecidas e por isso podemos dizer que existem diversos entendimentos sobre o movimento. É o que expõe Alive Valek, do blog Escritório Feminista da Carta Capital, no artigo O que as feministas defendem?: “Eu poderia fazer um texto expondo as pautas feministas de um modo geral, mas isso não me cabe; há várias correntes dentro do feminismo, com pensamentos e posicionamentos distintos. Não há “o” feminismo, mas vários feminismos”.

É claro que há algumas ideias comuns que orientam o movimento, como a igualdade entre homens e mulheres, pensamento base de qualquer um dos “vários feminismos” descritos por Aline. Eu separei abaixo algumas das causas que a escritora defende em sua luta. CLIQUE AQUI para ter acesso ao artigo completo.

  1. Mulheres são pessoas. Portanto, merecem direitos iguais;
  2. Mulheres devem ganhar salários iguais aos dos homens no desempenho da mesma função;
  3. Mulheres não devem ser discriminadas no mercado de trabalho e suas oportunidades não devem ser limitadas aos papéis de gênero que a sociedade impõe sobre elas;
  4. Não é obrigação da mulher cuidar da casa, dos filhos e do marido. Os afazeres domésticos e cuidado com as crianças devem ser de igual responsabilidade para homens e mulheres;
  5. Nenhuma mulher é uma propriedade. Nenhum homem tem o direito de agredir fisicamente ou verbalmente uma mulher, ou ainda determinar o que ela pode ou não fazer;
  6. O corpo da mulher é de direito somente da mulher. A ela cabe viver a sua sexualidade como bem entender, decidir como vai dispor de seu corpo e da sua imagem, com quem ou como vai se relacionar;
  7. Qualquer ato sexual sem consentimento é estupro. Nenhum homem tem o direito de dispor sexualmente de uma mulher contra a vontade dela;
  8. Assédio de rua é uma violência. A mulher tem o direito ao espaço público sem ser constrangida, humilhada, ameaçada e intimidada;
  9. A representação da mulher na mídia não pode nos reduzir a estereótipos que nos desumanizam e ajudam a nos oprimir;
  10. A voz das mulheres precisa ser valorizada. A opinião das mulheres, suas vivências, ideias e histórias não podem ser descartadas ou consideradas menores pelo fato de serem mulheres;
  11. O espaço político também é um direito da mulher. Devemos ter direito ao voto, a sermos votadas, representadas politicamente e a termos nossas questões contempladas pelas leis e políticas públicas;
  12. Mulheres trans são mulheres e, portanto, são pessoas. Todas as pessoas merecem ter sua identidade respeitada;


Machismo e feminismo
Um dos erros mais comuns é relacionar o feminismo como o oposto do machismo. Eles estão interligados, mas não são antagonistas, ou seja, o feminismo não é o contrário do machismo. Uma rápida passada pelo dicionário vai te explicar isso.

. Machismo = ideologia de supremacia do macho que nega a igualdade de direitos para homens e mulheres;

. Feminismo = movimento articulado na Europa, no século XIX, com o intuito de conquistar a equiparação dos direitos sociais e políticos de ambos os sexos, por considerar que as mulheres são intrinsecamente iguais aos homens e devem ter acesso irrestrito às mesmas oportunidades;

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Portanto, podemos ver claramente os dois só estão relacionados pois o feminismo combate o machismo na busca pela igualdade entre gêneros. Dizer que o feminismo quer dar privilégios ou superioridade à mulher é um erro, ele apenas quer colocá-la em situação de igualdade com o homem. Inclusive, machismo e feminismo nem deveriam existir, pois os gêneros teriam que possuir os mesmos direitos e oportunidades desde o início da espécie humana.

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