A cara do terror

Muita coisa tem sido dita sobre o Estado Islâmico desde 2015. O grupo terrorista que “surgiu” para o mundo em janeiro de 2015 após o ataque que dizimou a equipe de redação do seminário satírico Charlie Hebdo, hoje é mundialmente conhecido por sua postura radical e extremista. O mais recente atentado do EI em uma boate turca no dia 1° de janeiro deixou nada menos do que 36 mortos e 69 feridos.

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Como surgiu?
Também conhecido como Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS, sigla em inglês), os jihadistas tem suas origens ligadas à Al-Qaeda. Abu Mussab al-Zarqawi, progenitor do EI e criador do grupo radical Tawhid wa al-Jihad, jurou lealdade a Osama Bin Laden um ano após o ataque norte-americano ao Iraque.

Após a morte Zarqawi em 2006, a própria Al-Qaeda criou o “Estado Islâmico do Iraque” (Isi, na sigla em inglês). Por conta dos ataques sofridos pelas tropas dos EUA e pela criação dos conselhos sahwa, liderados por tributos sunitas e que rejeitavam a brutalidade do grupo, o Isi perdeu forças.

Porém, em 2010, Abu Bakr al-Baghdadi tornou-se líder do grupo, reconstituindo a organização e realizando uma série de ataques. Três anos depois, o Isi uniu-se com a Al Nusra (filial da Al-Qaeda na Síria) contra o presidente sírio Bashar al Assad. Com a fusão das milícias no Iraque e na Síria em abril de 2013, os radicais passaram a adotar o nome de Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Apesar dos líderes da Al Nusra rejeitarem a fusão, muitos combatentes leais aos princípios de Baghdadi seguiram o empenho jihadista do atual líder do EI.

Com funciona?
O grupo estabeleceu um califado, ou seja, uma forma de Estado comandado por um líder político e religioso de acordo com a lei islâmica, a sharia. Atualmente, Abu Bakr al-Baghdadi é considerado o grande califa do EI.

Qual território tem sob controle?
Em dezembro de 2013, concentrou sua base no Iraque, aproveitando-se da divisão política entre o governo xiita e a minoria sunita. Com apoio de líderes tribais, obteve o controle da cidade de Faluja. Porém, em junho de 2014, conquistou o seu grande trunfo: a cidade de Mosul, a segunda maior do país.

Atualmente, o grupo controla dezenas de cidades e localidades, tanto no Iraque, quanto na Síria. Veja no mapa abaixo (fonte: Globo).

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O que defendem?
Apesar do fato de que muitos acreditem que os radicais querem lutar apenas contra “o demônio norte-americano”, o Estado Islâmico tem a sua base no Alcorão e nas profecias de Maomé. Por ser um grupo extremamente radical, defende que os muçulmanos devam copiar e revivar o estilo de vida do profeta.

Ir contra a santidade do Alcorão ou negar as profecias de Maomé são claramente apostasias (renúncia à religião ou à crença), punidas com morte, segundo o livro sagrado. Porém, os líderes do Estado Islâmico consideram que muitas ações podem afastar o muçulmano do islã, como vender álcool ou drogas, usar roupas ocidentais, raspar a barba e até votar em eleições.

Ser xiita, como são a maioria dos árabes iraquianos, também se encaixa nesta ações, pois segundo o EI, o xiismo é visto como uma inovação e inovar o Alcorão é negar a sua perfeição inicial. Práticas comuns dos xiitas como a adoração em alguns túmulos de imãs e a autoflagelação pública não têm base no Alcorão e nem no exemplo do profeta Maomé. Portanto, a partir deste pensamento, 200 milhões de xiitas estão marcados para morrer, assim como os chefes de Estado de todos os países muçulmanos, que elevaram as leis feitas pelos homens acima da sharia (lei islâmica), concorrendo a cargos públicos e aprovando leis que não foram feitas por Deus.

“O que é espantoso neles não é só o seu literalismo, mas também a seriedade com que lêem estes textos”, diz Princeton Bernard Haykel, um dos maiores especialistas na teologia do grupo Estado Islâmico em todo o mundo, em entrevista ao periódico português Público.

Seguindo a doutrina takfiri (relativa à apostasia e excomunhão), o EI compromete-se a “purificar o mundo”. Para isso, é preciso assassinar um número grande de pessoas. Segundo relatos, o grupo realiza execuções individuais constantes em seus territórios, além de matanças em massa de semanas em semanas. As vítimas mais comuns são os apóstatas muçulmanos (considerados traidores do Alcorão e de Maomé).

Posicionamento frente a outras religiões
Se você é judeu ou cristão, fique “tranquilo”. Muito provavelmente o Estado Islâmico não irá te fazer mal. Para isso, você precisa apenas subjugar-se a ele.

Segundo o próprio califa Baghdadi, o EI irá permitir que os cristãos vivam, mas para isso, eles devem pagar uma taxa especial chamada jizya e devem reconhecer a sua inferioridade.

Para quem pensa que este é apenas uma ideia do grupo, está muito errado. A prática está prevista no Alcorão. O Surah al-Tawbah, nono capítulo do livro sagrado, encoraja os muçulmanos a combater os cristãos e judeus “até que estes paguem a jizya como uma submissão voluntária e se sintam eles próprios subjugados”. Até o próprio Maomé, adorado por todas as classes muçulmanas, impunha estas regras e possuía escravos.

Portanto, não se preocupe se a Dilma falar mal do Estado Islâmico. Se ela não interferir nos seus objetivos, como fazem Rússia, EUA e França, por meio de ataques aéreos e no solo, basta se subjugar que “está tudo certo” (só que não).

Curiosidades
– Awwad Ibrahim Ali al-Badri al-Samarrai é o verdadeiro nome de Abu Bakr al-Baghdadi, atual líder do Estado Islâmico. Acredita-se que ele tenha nascido em 1971 na cidade de Samarra, no norte de Bagdá. Baghadi é formado pela Universidade de Ciências Islâmicas, em Adhamiya, e possui títulos de mestre e doutor.

– Baghdadi já foi declarado morto pelos Estados Unidos, em outubro de 2005, após um ataque aéreo no Iraque. Porém, foi preso e ficou detido por quatro anos na base americana no Iraque, no Camp Bucca.

– Após ser solto em 2009, Baghdadi teria dito aos oficiais americanos: “Vejo vocês em Nova Iorque” – segundo fontes militares dos EUA.

– Segundo as “Cartas de Abbottabad”, correspondências encontradas no esconderijo de Osama Bin Laden no Paquistão após a sua morte, o próprio Bin Laden reprovava o Estado Islâmico, afirmando que o grupo causaria um impacto negativo na reputação da Al-Qaeda por conta de sua postura extremista.

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