O sonho brasileiro nos EUA

Com o mercado de trabalho cada vez mais disputado internamente, muitos jovens decidem buscar oportunidades de graduação e de profissionalização em países do exterior. Segundo o documento “Diplomacia Consular”, desenvolvido pelo Ministério das Relações Exteriores e divulgado em junho de 2012, estima-se que 1.066.559 brasileiros vivam nos Estados Unidos.

O valor é quase cinco vezes maior do que estimado no Japão, segundo colocado no ranking com cerca de 210.000 brasileiros. E é nesse mercado norte-americano que uma alternativa que ganha cada vez mais espaço: a integração entre esporte e ensino. Se no Brasil essa relação praticamente não existe, nos Estados Unidos ela é vital. “Aqui [nos EUA], eles nos dão a oportunidade de nos graduar e também de praticar futebol até em nível profissional, coisa que no Brasil nós não temos”, afirma Pedro Antonelli, aluno e atleta na University of the Cumberlands.

Um mercado de oportunidades

Com essa lacuna no mercado brasileiro, diversas empresas surgem para fazer a ponte entre universidade e alunos/atletas. Esse é o caso da American Dream, companhia especializada em intercâmbio esportivo com sede nos Estados Unidos e filiais na Espanha, Brasil e Inglaterra.

“Temos como missão ajudar jovens atletas/estudantes que sempre tiveram o sonho de ser um jogador profissional. […] proporcionamos a eles uma oportunidade de ter uma boa formação acadêmica, praticar o seu esporte no mais alto nível, prolongando, assim, a oportunidade de realizar o seu sonho”, explica Luciano Brunetti Virgilio, representante da American Dream no Brasil.

A filial brasileira, com apenas três meses de existência, já enviou o seu primeiro atleta aos Estados Unidos. Em 2014 cinco jovens também receberão oportunidades em universidades norte-americanas, enquanto dois aguardam o processo seletivo.

Um dos pontos mais importantes é referente à “bolsa esportiva”, ou seja, os jovens podem receber até 100% de desconto no curso que realizarão fora do país. “O valor da bolsa é definido por uma soma de resultados, sendo eles: a avaliação do treinador da universidade, o nível acadêmico do atleta (médias escolares e notas nas provas) e o nível esportivo”, explica Luciano. O representante destaca que cursos muito concorridos como Medicina, Direito e Engenharia não costumam participar desse intercâmbio esportivo.

Atualmente a empresa atua somente com o futebol, porém, a partir do ano que vem, incluirá tênis, basquete e vôlei na sua lista de modalidades esportivas.

pedro_antonelli_02Futebol de camisa 10

“Foi umas das melhores sensações que já tive, pois estaria perto de realizar um sonho que era jogar futebol e ainda poderia concluir meus estudos nos Estados Unidos”. A frase é de Pedro Antonelli [foto ao lado], 20, jovem brasileiro que hoje atua pela universidade de Cumberlands, ao falar sobre o momento no qual descobriu que havia sido aprovado nas seletivas da 2SV, outra companhia voltada ao mercado de intercâmbio esportivo.

Há quase dois anos na faculdade norte-americana, Antonelli está no segundo semestre do curso de Business, pois passou o seu primeiro ano estudando inglês para poder dar início à faculdade. Após 12 gols e cinco assistências em sua primeira temporada, o jovem brasileiro deixou para trás a camisa 20 e ganhou nada menos do que a 10, a mais disputada no meio do futebol. “Quando ele [treinador] me disse que eu a usaria, me senti muito feliz e com uma responsabilidade maior nas costas, pois sabia da confiança que ele estava depositando em mim”, conta.

Aproveitando o bom momento, o atacante brasileiro ganhou ainda mais destaque nas últimas rodadas, quando marcou quatro gols na vitória da sua equipe contra o Gerogetown College, inclusive, com um gol logo na saída de bola, do meio campo (acompanhe os lances no vídeo abaixo).

Apesar do bom momento, o garoto já tem em vista o seu próximo objetivo: seguir uma carreira profissional nos Estados Unidos, mas, para isso, ele destaca que o respeito, o comprometimento e a dedicação são essenciais. Outro ponto importante é a formação escolar: “para poder jogar você precisa ter no mínimo 12 créditos por semestre, no qual quatro são referentes às aulas”. Portanto, apesar do rendimento dentro de campo é necessário ir bem fora das quatro linhas, o que possibilita o crescimento não só esportivo como profissional dos atletas.

Em busca do sonho

Assim como Antonelli, diversos outros jovens brasileiros tentam a sorte nos EUA. Bruno Oliveira Campos, Leonardo Kawazuro Novaes de Lima e Luiz Felipe Baulhouth foram selecionados pela American Dream e terão a oportunidade de estudar e atuar esportivamente fora do Brasil. “Acredito que me proporcionará somente coisas boas, como a fluência em uma segunda língua, mais uma chance de tentar realizar o sonho de infância de jogar futebol e estudar em uma universidade de qualidade”, afirma Luiz Felipe, 19.

Já para Leonardo Kawazuro, 19, além da expectativa de poder atuar profissionalmente nos EUA, obter uma boa base de estudos é fundamental: “para que eu possa seguir uma carreira profissional caso não siga como jogador”. Por fim, para Bruno Oliveira, 18, o mais novo da turma, o intercâmbio também será importante para torná-lo “mais independente, sem depender dos outros”.

equipe_american_dream
Da esq. p/ a dir.: Victor Maron, Thomaz Picelli, Vitor Torezani , Luciano Brunetti, Eduardo Sedano, Marcello Lescura, Bruno Oliveira e Leonardo Kawazuro

Porém, para chegar lá não basta apenas talento, o comprometimento é essencial. Para trabalhar constantemente com os atletas, a American Dream conta com o seu diretor de Esportes, Eduardo Sedano. “Não nos preocupamos apenas em enviá-los, mas em sentir a confiança dele para ir, em dar todo o suporte necessário no Brasil e, quando ele estiver lá, não abandoná-lo e sempre manter contato caso ele precise de ajuda”, afirma.

Com apenas 21 anos, Sedano já participou de dois intercâmbios esportivos [África do Sul e Japão] e destaca que o foco de seu trabalho é preparar ao máximo o atleta para que ele esteja pronto para diversas situações e ressalta a importância do trabalho psicológico, pois o jovem estará longe da família e terá desafios que deverão ser enfrentados sozinhos, sem a ajuda dos pais.

Por fim, sobre as maiores dificuldades no dia a dia, explica que agendar os treinos, por contas dos cursos, colégio e compromissos dos atletas pode ser um desafio. Porém, a maior dificuldade ainda é obter a confiança dos pais no trabalho. “Além da empresa ser nova no mercado do intercâmbio, nós também somos novos em idade, mas com o tempo, ficaremos conhecidos e essa confiança virá naturalmente”, finaliza.

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