“Ratos” de laboratório

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O Instituto Royal e a realização de testes em animais tornaram-se a grande polêmica do momento. Protestos, invasões, confrontos com a policiais e diversas acusações contra a empresa foram feitas nos últimos dias.

Números que assustam

Antes de abordar o assunto, gostaria de ressaltar alguns dados que talvez poucos saibam ou já tiveram acesso: atualmente, existem 206 marcas cadastradas como entidades que realizam testes com as mais diversas espécies animais, de acordo com dados da People for the Ethical Treatment of Animals (Peta), maior organização defensora dos direitos dos animais no mundo e que conta com nada menos do que três milhões de membros e apoiadores por todo o planeta.

Entre essas marcas, encontramos importantes nomes como Close-Up, Dolce & Gabana, Always, Axe, Band-Aid, Christina Aguilera Perfumes, Comfort, Dove, Glade, Hugo Boss, Johnson’s, Lux, Mr.Clean, Pantene, Raid e Ralph Lauren. Muitas dessas e outras companhias listadas pela Peta pertencem a gigantes grupos como 3M, Johnson & Johnson, Unilever, Procter & Gamble (P&G), Avon, L’Oreal, Pfizer e Church & Dwight.

Outro dado impactante é o número de animais usados em pesquisas todo o ano. Segundo estimativa feita por Katy Taylor, diretora de ciências da Coligação Europeia para o Fim das Experiências em Animais, cerca de 115 milhões de animais são utilizados em estudos por todo o mundo. De acordo com a Peta, pelo menos três milhões destes animais morrem todo o ano, apesar de Edmund Haferbeck, consultor da entidade na Alemanha, alertar que os registros podem não ser tão precisos e que os números podem ser muito maiores.

Opinião

“Existe legislação, existe licenciamento e existe fiscalização. (…) Essa invasão é um crime, foi feita à revelia da lei”. Essa declaração foi dada pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Marco Antonio Raupp, comentando a recente invasão ao Instituto Royal.

Realmente, a legislação brasileira permite a realização de testes em animais desde que regularizados e fiscalizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea). Porém, a questão implica exatamente na legislação: por que ela permite que tais testes sejam feitos?

Logo de cara, sou contra a utilização de animais para testes em cosméticos, pois não são produtos de utilidade básica e fundamental na vida dos seres humanos. Em relação aos testes realizados para o desenvolvimento de medicamentos, mantenho certa dúvida. Se não forem testados em animais, em quem serão? Em pessoas que já estão contaminadas pelas doenças? Em voluntários? Ou em pessoas em condições de prisões perpétuas (como defendem os mais radicais)?

Não acredito que nenhuma dessas seja a solução ideal. Pessoas já contaminadas pelas doenças podem se tornar ainda mais frágeis e perder a vida nesses testes. Poucas pessoas se voluntariariam para pesquisas como essas e realizar esses estudos com prisioneiros causaria um impacto ainda maior do que o gerado com os testes em animais.

Muitos defendem os testes realizados em camundongos criados em laboratório. Isso também não me parece certo. Se contra um cachorro é crime, deveria ser com um rato e com outras espécies de seres vivos – parafraseando: “todos são iguais perante a lei”. Além do que, o corpo humano é muito diferente do corpo de um animal como esse e a eficácia do medicamento pode não ser a ideal.

De acordo com dados do órgão regulador de medicamentos dos Estados Unidos (Food and Drug Administration – FDA), 92% de todas as drogas testadas em animais e aprovadas falharam em testes clínicos com seres humanos.

Portanto, acredito que a maior solução para todo esse caso é o investimento maciço, por parte dos Governos, em capacitação e formação de profissionais de ciência, com um importante aporte em novas tecnologias e estruturas, para que novos meios alternativos de pesquisa sejam cada vez mais desenvolvidos e eficazes na luta contra as doenças.

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5 thoughts

  1. Sou contra testes em animais com cosméticos mas quando se fala em remédios e tratamentos, é complicado… Só não entendo pq cães e coelhos têm defesa enquanto ratos não têm. Adotei um rato que servia de cobaia para uma faculdade, quando ele não podia mais ser usado pq seu cérebro não “servia” mais, o adotei. Ele era extremamente inteligente e carinhoso, logo, era um animal como outro qualquer com medos e dores físicas. Pq essa diferença?

  2. Bando de hipócrita! Salvar os ratos não salvaram. A porta do Royal, onde ficam os ratos foi arrombada e qdo viram q era rato, fecharam. Só salvam beagles pq são fofinhos. Quero ver invadir um frigorífico e salvar bois, porcos e galinhas. Eles tb sofrem maus tratos e ainda os comem! Q barbaridade!!! Isso aí é fachada! Tem gente grande por trás da invasão do instituto, ah tem!

  3. Tem que ter cuidado com esse tipo de perspectiva, afinal, o frango, o boi, o porco, etc também são animais e veja bem, eles também são mortos e fazem parte da nossa alimentação… Será que essas pessoas acham que a picanha e o bacon vem da onde, do freezer do supermercado? Eu acho que isso é falta do que fazer. Joga lixo no chão e faz outras coisas e vem querer defender os animais? Fala sério. Eu sou a favor, sim. Existe regulamentação pra essas coisas.

  4. Concordo com sua opinião, mas se não testarmos cosméticos em animais em quem testaremos? É muito fácil criticar sem dar uma solução.

    1. Na Europa é proibido o teste de cosméticos em animais e
      essa indústria lá é muito forte. Cientistas de lá dizem que, pelo menos em cosméticos, é totalmente possível fazer outros testes que não em animais e com total segurança para humanos.
      Então, se na Europa dá certo pq aqui não daria?

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